Vencida esta primeira etapa de cotejamento com o mundo real, é possível considerar que o próximo passo na construção do modelo discutido neste livro implica em retomar o diálogo entre Mente e Matéria. Ou seja, ele propõe discutir sobre a necessidade de transcender a cosmo-visão convencional, aprisionada pelos sentidos e endeusada pela ciência cartesiana, desde que se pretenda entender os desafios atuais da própria odisséia humana. O pressuposto é claro: circunscrever a análise das políticas de privatização à ideologização do discurso político ou à racionalização do discurso técnico, sem questionar-lhes os seus fundamentos ou os entraves estruturais potencialmente previsíveis na parametrização do processo de confrontação da atual crise mundial, seria o mesmo que assumir uma atitude, no mínimo, temerária e, no máximo, teórica e historicamente irresponsável e incompetente.
Tal atitude de vigilância epistemológica imporia perseguir uma direção divergente da convencional: ao invés de estabelecer um corte analítico de curto prazo, o fulcro do modelo teórico desenvolvido neste livro implica em perscrutar o caráter fundante, recorrente e dialético do privado na histórica da civilização ocidental, de uma maneira cotejada com a visão dicotômica de mundo que lhe dá substância, buscando identificar-lhes algumas constrições cíclicas dentro de uma perspectiva de curto e de longo prazo.
sexta-feira, 1 de maio de 2009
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