Vencida esta primeira etapa de cotejamento com o mundo real, é possível considerar que o próximo passo na construção do modelo discutido neste livro implica em retomar o diálogo entre Mente e Matéria. Ou seja, ele propõe discutir sobre a necessidade de transcender a cosmo-visão convencional, aprisionada pelos sentidos e endeusada pela ciência cartesiana, desde que se pretenda entender os desafios atuais da própria odisséia humana. O pressuposto é claro: circunscrever a análise das políticas de privatização à ideologização do discurso político ou à racionalização do discurso técnico, sem questionar-lhes os seus fundamentos ou os entraves estruturais potencialmente previsíveis na parametrização do processo de confrontação da atual crise mundial, seria o mesmo que assumir uma atitude, no mínimo, temerária e, no máximo, teórica e historicamente irresponsável e incompetente.
Tal atitude de vigilância epistemológica imporia perseguir uma direção divergente da convencional: ao invés de estabelecer um corte analítico de curto prazo, o fulcro do modelo teórico desenvolvido neste livro implica em perscrutar o caráter fundante, recorrente e dialético do privado na histórica da civilização ocidental, de uma maneira cotejada com a visão dicotômica de mundo que lhe dá substância, buscando identificar-lhes algumas constrições cíclicas dentro de uma perspectiva de curto e de longo prazo.
sexta-feira, 1 de maio de 2009
Desdobramento do modelo
Após a explicitação do modelo teórico adotado[1] e para torná-lo compreensível, é necessário dar um passo adiante, buscando desenvolver o debate da dicotomia com o da privatização. Do ponto de vista ainda filosófico, isto significa buscar exercitar um diálogo entre Mente e Matéria. Do ponto de vista histórico, por outro lado, isto exige a apresentação de estudos de caso e o cotejamento com o mundo real.
Avançar nesta última direção exigiria, por exemplo, considerar três importantes correlações:
A crise do sistema produtor de mercadorias - ao nível da matéria
Este tema poderia ser desenvolvido com base no sensoriamento de sinais de uma crise global, passível de ser evidenciada por meio de: a) uma aceleração do progresso técnico em sintonia com a queda tendencial da taxa de lucro (particularmente na chamada fase descendente do quarto ciclo); b) uma eclosão de crise econômica (induzindo a adoção de políticas, tais como: substituição de importações, endividamento externo e privatização); c) uma visão de curto prazo dentro de uma situação de problematização fiscal, monetária e distributiva.
Dentro deste esquema, o caráter cíclico e complementar das políticas de substituição de importações, endividamento externo e privatização, por exemplo, dentro da fase atual de hegemonização do capital financeiro, poderia contribuir para evidenciar o crivo dicotômico: ou seja, cada uma delas poderia ser identificada como forma diferenciada de se gestionar o processo econômico em favor do capital e às expensas do homem.
Neste sentido, as políticas de privatização poderiam ser concebidas, de fato, como um momentum necessário, porém francamente temerário, à nova reordenação do capital global, no qual a dinâmica do processo de produção e de circulação do capital estaria a potencializar o seu próprio fetiche: o espaço ampliado e aparentemente infinito dos Estados-nações, não mais reduzido à especificidade da territorialidade, passaria a ser subjugado pelo caráter fundamentalmente privado que permeia as relações intra/inter entidades transnacionais, interligadas, preferencialmente, à esfera financeira, nas quais o poder onisciente e onipresente do capital seria exercitado às expensas do homem.
Em outras palavras, isto significa supor, que, não mais apenas o Homem, porém também os próprios Estado-nações, se encontrariam no limiar de sua transmutação em mercadoria. Ou seja, a mercantilização do processo global se profundiza hoje em extensão e amplitude, o que, contrariamente ao que se supõe, parece ser um primeiro ponto constritivo na definição de uma verdadeira e duradoura política de paz.
A crise do Estado-nação e a crise de cidadania - ao nível da consciência
Do ponto de vista político, a substituição atual do momento de publicização do privado pela privatização do público, em escala ampliada, estaria sendo engendrada num momento histórico caracterizado pelo declínio do Estado-nação em face da própria dinâmica do processo de globalização. Isto é reforçado pelo fato de que a globalização econômica, malgrado a integração dos mercados e a superação de marcos territorial, têm sido alicerçadas na separatividade crescente entre indivíduos, povos e nações, ou seja, tanto interna, quanto externamente. Dentro deste contexto, o próprio processo de integração entre Estados-nações enfraquecidos, do ponto de vista do marco institucional, estaria ocorrendo num momento caracterizado pelo aprofundamento da subjugação de uns em detrimento de outros, sob o domínio do capital financeiro, re-lastreado pela dinâmica da privatização. Tal movimento parece ser, no mínimo, temerário, porquanto sem precedentes na dinâmica da vida.
Por outro lado e do ponto de vista social, o próprio processo de globalização de mercados e da economia mundial também teria se desenvolvido em contraponto a um crescendo da desigualdade entre Estados-nações reais, seus povos constitutivos, seus indivíduos e seus próprios espaços internalizados e/ou regionalizados. As políticas de privatização, inclusive, contribuiriam para ampliar o leque destas desigualdades, na medida em que estas políticas tendem a privilegiar os resultados econômicos e financeiros de curto-prazo, em contraposição, no terreno do real, às conquistas sociais espaço-temporalmente mais amplas ou, no terreno do ideal, à inserção menos conflituosa do homem no processo produtivo. Daí porque, e dadas às condições objetivas para a apologização do progresso técnico, reinstala-se, mais uma vez, o crivo dicotômico: privilegiam-se o incremento da produtividade e da eficiência, ou seja, as variáveis econômicas e desprivilegiam-se as dimensões sociais, representadas pela ubiqüidização do emprego e distribuição da renda.
A crise do paradigma cartesiano-newtoniano - ao nível da luz[2]
Hoje, mais do que nunca, a sociedade humana parece caminhar para um estado de estrangulamento crônico: e a própria justaposição de crises parece desautorizar, completamente, as abordagens fragmentárias e particularistas dos processos históricos. Neste sentido, a inexorabilidade das crises e a sua forma de manifestação atual não poderiam ser consideradas, ao mesmo tempo, como causa e conseqüência de uma mesma problemática. Pelo contrário, elas tendem a colocar em xeque, como corolário, o próprio modelo explicativo de mundo.
Este é um dado forte, mesmo que desconsideremos o aspecto meramente singular da crise, ou seja, o seu caráter de inevitabilidade. Afinal, muitas crises já aconteceram na história; no entanto, a prodigalidade e extrema complexidade da crise atual poderiam indicar, no mínimo, o caminho da cautela.
[1] Atenção para o fato de que o modelo é formado por três instâncias - luz, matéria e espaço-consciencial - articuladas. Ou seja, ele pode ser entendido, a grosso modo, como 3 em 1.
[2] Enquanto marco referencial das explicações científicas.
Avançar nesta última direção exigiria, por exemplo, considerar três importantes correlações:
A crise do sistema produtor de mercadorias - ao nível da matéria
Este tema poderia ser desenvolvido com base no sensoriamento de sinais de uma crise global, passível de ser evidenciada por meio de: a) uma aceleração do progresso técnico em sintonia com a queda tendencial da taxa de lucro (particularmente na chamada fase descendente do quarto ciclo); b) uma eclosão de crise econômica (induzindo a adoção de políticas, tais como: substituição de importações, endividamento externo e privatização); c) uma visão de curto prazo dentro de uma situação de problematização fiscal, monetária e distributiva.
Dentro deste esquema, o caráter cíclico e complementar das políticas de substituição de importações, endividamento externo e privatização, por exemplo, dentro da fase atual de hegemonização do capital financeiro, poderia contribuir para evidenciar o crivo dicotômico: ou seja, cada uma delas poderia ser identificada como forma diferenciada de se gestionar o processo econômico em favor do capital e às expensas do homem.
Neste sentido, as políticas de privatização poderiam ser concebidas, de fato, como um momentum necessário, porém francamente temerário, à nova reordenação do capital global, no qual a dinâmica do processo de produção e de circulação do capital estaria a potencializar o seu próprio fetiche: o espaço ampliado e aparentemente infinito dos Estados-nações, não mais reduzido à especificidade da territorialidade, passaria a ser subjugado pelo caráter fundamentalmente privado que permeia as relações intra/inter entidades transnacionais, interligadas, preferencialmente, à esfera financeira, nas quais o poder onisciente e onipresente do capital seria exercitado às expensas do homem.
Em outras palavras, isto significa supor, que, não mais apenas o Homem, porém também os próprios Estado-nações, se encontrariam no limiar de sua transmutação em mercadoria. Ou seja, a mercantilização do processo global se profundiza hoje em extensão e amplitude, o que, contrariamente ao que se supõe, parece ser um primeiro ponto constritivo na definição de uma verdadeira e duradoura política de paz.
A crise do Estado-nação e a crise de cidadania - ao nível da consciência
Do ponto de vista político, a substituição atual do momento de publicização do privado pela privatização do público, em escala ampliada, estaria sendo engendrada num momento histórico caracterizado pelo declínio do Estado-nação em face da própria dinâmica do processo de globalização. Isto é reforçado pelo fato de que a globalização econômica, malgrado a integração dos mercados e a superação de marcos territorial, têm sido alicerçadas na separatividade crescente entre indivíduos, povos e nações, ou seja, tanto interna, quanto externamente. Dentro deste contexto, o próprio processo de integração entre Estados-nações enfraquecidos, do ponto de vista do marco institucional, estaria ocorrendo num momento caracterizado pelo aprofundamento da subjugação de uns em detrimento de outros, sob o domínio do capital financeiro, re-lastreado pela dinâmica da privatização. Tal movimento parece ser, no mínimo, temerário, porquanto sem precedentes na dinâmica da vida.
Por outro lado e do ponto de vista social, o próprio processo de globalização de mercados e da economia mundial também teria se desenvolvido em contraponto a um crescendo da desigualdade entre Estados-nações reais, seus povos constitutivos, seus indivíduos e seus próprios espaços internalizados e/ou regionalizados. As políticas de privatização, inclusive, contribuiriam para ampliar o leque destas desigualdades, na medida em que estas políticas tendem a privilegiar os resultados econômicos e financeiros de curto-prazo, em contraposição, no terreno do real, às conquistas sociais espaço-temporalmente mais amplas ou, no terreno do ideal, à inserção menos conflituosa do homem no processo produtivo. Daí porque, e dadas às condições objetivas para a apologização do progresso técnico, reinstala-se, mais uma vez, o crivo dicotômico: privilegiam-se o incremento da produtividade e da eficiência, ou seja, as variáveis econômicas e desprivilegiam-se as dimensões sociais, representadas pela ubiqüidização do emprego e distribuição da renda.
A crise do paradigma cartesiano-newtoniano - ao nível da luz[2]
Hoje, mais do que nunca, a sociedade humana parece caminhar para um estado de estrangulamento crônico: e a própria justaposição de crises parece desautorizar, completamente, as abordagens fragmentárias e particularistas dos processos históricos. Neste sentido, a inexorabilidade das crises e a sua forma de manifestação atual não poderiam ser consideradas, ao mesmo tempo, como causa e conseqüência de uma mesma problemática. Pelo contrário, elas tendem a colocar em xeque, como corolário, o próprio modelo explicativo de mundo.
Este é um dado forte, mesmo que desconsideremos o aspecto meramente singular da crise, ou seja, o seu caráter de inevitabilidade. Afinal, muitas crises já aconteceram na história; no entanto, a prodigalidade e extrema complexidade da crise atual poderiam indicar, no mínimo, o caminho da cautela.
[1] Atenção para o fato de que o modelo é formado por três instâncias - luz, matéria e espaço-consciencial - articuladas. Ou seja, ele pode ser entendido, a grosso modo, como 3 em 1.
[2] Enquanto marco referencial das explicações científicas.
A visão holística
Aplicado ao tema da privatização, a visão holística implica em desenvolver um olhar teórico e metodológico a partir da utilização do conceito de matriz holopoiética fundamental. Esta matriz procura perscrutar a interação do eixo da matéria (políticas de privatização) com o eixo da consciência (países latino-americanos, por exemplo) permeado pela luz da visão dicotômica de mundo (quadro de referência).
Esquematicamente, isto significa considerar que esta metodologia permite sintetizar o olhar sobre a aplicação das políticas de privatização da seguinte maneira:
LUZ
Visão dicotômica de mundo
MATÉRIA ESPAÇO-CONSCICENCIAL
Políticas de Estado-nação
Privatização
Em termos práticos, isto equivale a considerar as políticas de privatização numa visão muito mais ampla do que a que costuma ser convencionalmente aceita. Em termos teóricos, ou seja, buscando transcender às visões de causa-efeito e/ ou de curto-prazo, isto também permite discutir a problemática da privatização dentro do embate dicotômico do público versus privado e do indivíduo versus Estado, cotejadamente pela filosofia e pela história. Desta forma, torna-se plausível a identificação de insights passíveis de contribuir para a discussão teórica em torno do processo de acumulação de capital, de forma a entender a plausibilidade de ampliação e/ou constrição cíclica do processo global dentro de uma perspectiva de longo prazo.
Esquematicamente, isto significa considerar que esta metodologia permite sintetizar o olhar sobre a aplicação das políticas de privatização da seguinte maneira:
LUZ
Visão dicotômica de mundo
MATÉRIA ESPAÇO-CONSCICENCIAL
Políticas de Estado-nação
Privatização
Em termos práticos, isto equivale a considerar as políticas de privatização numa visão muito mais ampla do que a que costuma ser convencionalmente aceita. Em termos teóricos, ou seja, buscando transcender às visões de causa-efeito e/ ou de curto-prazo, isto também permite discutir a problemática da privatização dentro do embate dicotômico do público versus privado e do indivíduo versus Estado, cotejadamente pela filosofia e pela história. Desta forma, torna-se plausível a identificação de insights passíveis de contribuir para a discussão teórica em torno do processo de acumulação de capital, de forma a entender a plausibilidade de ampliação e/ou constrição cíclica do processo global dentro de uma perspectiva de longo prazo.
O modelo
Para resolver este problema metodológico, este livro procurou, num primeiro momento, chamar a atenção para a plausibilidade de se resolver o desafio da transdisciplinaridade por meio da utilização do conceito de matriz holopoiética fundamental[1]. Primeiro, porque este conceito é uma chave potencialmente importante para a antagonização de uma visão fragmentária de realidades. Segundo, porque o caráter inovador desta matriz, que tem como base as conquistas recentes da física quântica e da teoria da relatividade, consiste na adoção de um método-tentativa de recuperação de uma visão integrativa do mundo e das coisas do mundo, em contraposição à noção de separatividade dualística que está implícita nas relações tradicionais entre sujeito e objeto.
Formulada triadicamente[2], esta matriz permite estabelecer a passagem de uma concepção de mundo absoluto para um mundo relativizado pelas noções convencionais de espaço-tempo, com base num método que busca transcendê-la. Daí porque, consoante com esta metodologia, este livro procura entender o processo de fragmentação do Real pela Mente humana na construção da história da Vida, a partir do estudo do discurso e da práxis da privatização.
A sua hipótese fundamental, portanto, implica em considerar as políticas de privatização como uma forma de exercício recorrente da visão dicotômica de mundo no espaço constitutivo dos Estados – nações.
[1] A matriz holopoiética fundamental (MPH) é uma das chaves conceituais do paradigma holística, significando uma "representação da passagem do mundo absoluto, isto é, do espaço-energia atemporal para o mundo relativo do espaço-tempo". Vide WEIL, Pierre (1992). Axiomática Transdisciplinar para um novo Paradigma Holístico. Brasília: UnHI,
[2] A Lei de Três costuma ser recorrente no mundo da Vida, sendo bastante conhecida das tradições seculares e do pensamento cristão. Uma visão neo-positivista desta lei pode ser encontrada em PEIRCE, Charles Sanders (1975). Semiótica e Filosofia. São Paulo: Cultrix / EDUSP.
Formulada triadicamente[2], esta matriz permite estabelecer a passagem de uma concepção de mundo absoluto para um mundo relativizado pelas noções convencionais de espaço-tempo, com base num método que busca transcendê-la. Daí porque, consoante com esta metodologia, este livro procura entender o processo de fragmentação do Real pela Mente humana na construção da história da Vida, a partir do estudo do discurso e da práxis da privatização.
A sua hipótese fundamental, portanto, implica em considerar as políticas de privatização como uma forma de exercício recorrente da visão dicotômica de mundo no espaço constitutivo dos Estados – nações.
[1] A matriz holopoiética fundamental (MPH) é uma das chaves conceituais do paradigma holística, significando uma "representação da passagem do mundo absoluto, isto é, do espaço-energia atemporal para o mundo relativo do espaço-tempo". Vide WEIL, Pierre (1992). Axiomática Transdisciplinar para um novo Paradigma Holístico. Brasília: UnHI,
[2] A Lei de Três costuma ser recorrente no mundo da Vida, sendo bastante conhecida das tradições seculares e do pensamento cristão. Uma visão neo-positivista desta lei pode ser encontrada em PEIRCE, Charles Sanders (1975). Semiótica e Filosofia. São Paulo: Cultrix / EDUSP.
quarta-feira, 29 de abril de 2009
Sinopse
Sinopse
Miséria da Ciência é um livro polêmico. Primeiro, porque busca radicalizar o enfoque transdisciplinar sobre a história dos homens e a história das idéias dos homens. Segundo, porque procura entender os fundamentos da crise contemporânea e de suas dimensões intelectuais, morais e espirituais. Terceiro, porque ousa questionar o Logos da Razão Material e da Concepção Dicotômica de Mundo, fruto da encruzilhada teórica que teria hegemonizado a lógica da separatividade (Parmênides, Pitágoras e Aristóteles) em oposição à idéia de totalidade (Heráclito, Platão e Sócrates).
Em sua essência, Miséria da Ciência é, sobretudo, um livro polêmico, porque busca identificar, não apenas uma única ruptura, porém uma dupla ruptura na história do desenvolvimento do homem, particularmente no Ocidente, como resultado de um processo de confrontação da visão dicotômica de mundo e não apenas do cartesianismo. O livro também busca ressaltar uma necessidade, cada vez mais urgente, de recuperação de uma dimensão ontológica do mundo e das coisas...
PARTE I
Prefácio
Nos últimos séculos, a ciência tendeu a apologizar o conceito de objetividade científica. Tal dominância se deveu à utilização de um procedimento metodológico que estabeleceu a separação entre sujeito e objeto, e representou uma opção metodológica absolutamente coerente com uma visão cartesiana e dicotômica de mundo.
Hoje, estudar os fenômenos da sociedade humana com base numa visão cartesiana de mundo ainda é a norma vigente no mundo acadêmico, já que tal visão costuma ser reconhecida como verdade universal. O difícil é transcendê-la, de uma maneira substantiva e menos propensa aos ditames da moda. Com este enfoque, o grande desafio deste livro é questionar o modelo arquetípico de mundo vigente no ocidente, centrado na dicotomia, como resultado do processo de fragmentação do Real pela Mente Humana na construção da História da Vida.
Este é, basicamente, o fundamento epistemológico do livro Miséria da Ciência[1]. Em princípio, o objetivo da tese era simples e despretensioso: analisar o sentido e o alcance das políticas de privatização de uma maneira articulada com o processo de formação de alguns países latino-americanos, que surgiram no momento do advento do capitalismo. Dentro do modelo proposto, tais países teriam sido criados como resultado da alternância história do embate dicotômico entre centro e periferia e como um espaço de constituição dicotômica do capital, ou seja, como um Não-Eu para o capital.
Na medida em que os estudos continuaram, ficou cada vez mais claro que havia uma necessidade de retomada de uma discussão ainda mais densa, que pudesse recolocar o conceito de dicotomia em suas bases filosóficas. Com isso, esperava-se entender o cenário no qual o embate em torno da publicização do privado e da privatização do público pudesse ser interpretado. Miséria da Ciência é, portanto, o resultado desta discussão filosófica. Procurando recuperar a contribuição dos pré-socráticos na sistematização da História da Vida, o livro estudou a gênese da dicotomia, procurando entender a temporalidade de conceitos e teorias, resultando na discussão da aporia do racionalismo enquanto marco interpretativo.
Em sua essência, isto significa dizer que os estudos exigiram um redimensionamento do objeto de pesquisa, de forma a incluir, numa incursão introdutória, teórica e transdisciplinar, o debate do público versus privado na filosofia e na história. No decorrer deste processo, dois pontos ficaram evidentes, relativamente aos aspectos extrínsecos e intrínsecos do problema:
a) ao nível de sua formulação exteriorizada[2], o debate entre público & privado parece explicitar um crescendo histórico de substantivação de uma visão dicotômica de mundo, cujo manancial tende a ser localizado em pensadores gregos, particularmente Parmênides, Pitágoras e Aristóteles. Nestes pensadores, o caráter público se contrapõe ao privado, da mesma maneira que o indivíduo se contrapõe ao Estado.
b) ao nível de sua caracterização implícita, este debate parece ser capaz de desvelar a imanência funcional dos conceitos de público / privado, passível de reforçar o privado como unidade fundante e o público como a forma manifesta, decorrente e híbrida desta relação.
No terreno dos estudos de caso e na particularidade / generalidade da própria história mundial contemporânea, estudar a privatização sob este prisma exigiu um aperfeiçoamento do arsenal teórico metodológico disponível. Por um lado, houve necessidade de um esforço teórico no sentido de deslindar o caráter dicotômico / dialético da hegemonização dos conceitos de público e privado desde o advento da História. E por outro, constatou-se a necessidade de entender e flagrar a fulcralidade do papel do Estado como um instrumento de apropriação privada na Idade Antiga e na vigência do capitalismo[3].
Segundo a concepção dicotômica de mundo, o debate em torno do caráter fundante dos conceitos de indivíduo, privado e Estado, a partir da visão logóica dos gregos até os dias atuais, não é novo, nem tampouco original, já que está presente na própria dinâmica do processo civilizatório em sua concepção tradicional. No entanto, polemizar sobre as dicotomias indivíduo versus Estado e público versus privado, de forma a incluir uma visão histórica, terminou representando um grande desafio, já que exigiu a incorporação de uma matriz espaço-temporalmente muito mais ampla.
Além disso, alguns problemas adicionais surgiram. Em primeiro lugar, o tema era extremamente rico e exigia um tratamento transdisciplinar. Segundo, porque o próprio espaço da transdisciplinaridade continua ainda impreciso, demandando uma preocupação constante e dialógica entre o geral e o particular, o que, neste caso, significava levar em consideração as categorias indivíduo e Estado e público e privado, de uma maneira epistemológica e historicamente. Terceiro, porque as abordagens generalistas, principalmente quando se almejam transgressoras, costumam ser desqualificadas no mundo acadêmico.
E quarto e último ponto, porque estudar um fenômeno específico, no caso, a privatização, dentro de um quadro referencial genérico, procurando entender o caráter dialético da inserção do público e do privado no mundo real e não apenas descrevê-los, poderia ser, no mínimo, uma temeridade.
[1] Este livro é produto da tese de doutoramento da autora, intitulada A Roda da Angústia, que discute as políticas de privatização na América Latina e representa um resumo de seu modelo teórico.
[2] Esta abordagem mantém uma relação de contingenciamento com os conceitos, extraídos da física quântica, de "Ordem Implícita" e de "Ordem Explícita", tal como referenciado por David Bohm.
[3] Vide os apêndices I e II no final do livro.
Miséria da Ciência é um livro polêmico. Primeiro, porque busca radicalizar o enfoque transdisciplinar sobre a história dos homens e a história das idéias dos homens. Segundo, porque procura entender os fundamentos da crise contemporânea e de suas dimensões intelectuais, morais e espirituais. Terceiro, porque ousa questionar o Logos da Razão Material e da Concepção Dicotômica de Mundo, fruto da encruzilhada teórica que teria hegemonizado a lógica da separatividade (Parmênides, Pitágoras e Aristóteles) em oposição à idéia de totalidade (Heráclito, Platão e Sócrates).
Em sua essência, Miséria da Ciência é, sobretudo, um livro polêmico, porque busca identificar, não apenas uma única ruptura, porém uma dupla ruptura na história do desenvolvimento do homem, particularmente no Ocidente, como resultado de um processo de confrontação da visão dicotômica de mundo e não apenas do cartesianismo. O livro também busca ressaltar uma necessidade, cada vez mais urgente, de recuperação de uma dimensão ontológica do mundo e das coisas...
PARTE I
Prefácio
Nos últimos séculos, a ciência tendeu a apologizar o conceito de objetividade científica. Tal dominância se deveu à utilização de um procedimento metodológico que estabeleceu a separação entre sujeito e objeto, e representou uma opção metodológica absolutamente coerente com uma visão cartesiana e dicotômica de mundo.
Hoje, estudar os fenômenos da sociedade humana com base numa visão cartesiana de mundo ainda é a norma vigente no mundo acadêmico, já que tal visão costuma ser reconhecida como verdade universal. O difícil é transcendê-la, de uma maneira substantiva e menos propensa aos ditames da moda. Com este enfoque, o grande desafio deste livro é questionar o modelo arquetípico de mundo vigente no ocidente, centrado na dicotomia, como resultado do processo de fragmentação do Real pela Mente Humana na construção da História da Vida.
Este é, basicamente, o fundamento epistemológico do livro Miséria da Ciência[1]. Em princípio, o objetivo da tese era simples e despretensioso: analisar o sentido e o alcance das políticas de privatização de uma maneira articulada com o processo de formação de alguns países latino-americanos, que surgiram no momento do advento do capitalismo. Dentro do modelo proposto, tais países teriam sido criados como resultado da alternância história do embate dicotômico entre centro e periferia e como um espaço de constituição dicotômica do capital, ou seja, como um Não-Eu para o capital.
Na medida em que os estudos continuaram, ficou cada vez mais claro que havia uma necessidade de retomada de uma discussão ainda mais densa, que pudesse recolocar o conceito de dicotomia em suas bases filosóficas. Com isso, esperava-se entender o cenário no qual o embate em torno da publicização do privado e da privatização do público pudesse ser interpretado. Miséria da Ciência é, portanto, o resultado desta discussão filosófica. Procurando recuperar a contribuição dos pré-socráticos na sistematização da História da Vida, o livro estudou a gênese da dicotomia, procurando entender a temporalidade de conceitos e teorias, resultando na discussão da aporia do racionalismo enquanto marco interpretativo.
Em sua essência, isto significa dizer que os estudos exigiram um redimensionamento do objeto de pesquisa, de forma a incluir, numa incursão introdutória, teórica e transdisciplinar, o debate do público versus privado na filosofia e na história. No decorrer deste processo, dois pontos ficaram evidentes, relativamente aos aspectos extrínsecos e intrínsecos do problema:
a) ao nível de sua formulação exteriorizada[2], o debate entre público & privado parece explicitar um crescendo histórico de substantivação de uma visão dicotômica de mundo, cujo manancial tende a ser localizado em pensadores gregos, particularmente Parmênides, Pitágoras e Aristóteles. Nestes pensadores, o caráter público se contrapõe ao privado, da mesma maneira que o indivíduo se contrapõe ao Estado.
b) ao nível de sua caracterização implícita, este debate parece ser capaz de desvelar a imanência funcional dos conceitos de público / privado, passível de reforçar o privado como unidade fundante e o público como a forma manifesta, decorrente e híbrida desta relação.
No terreno dos estudos de caso e na particularidade / generalidade da própria história mundial contemporânea, estudar a privatização sob este prisma exigiu um aperfeiçoamento do arsenal teórico metodológico disponível. Por um lado, houve necessidade de um esforço teórico no sentido de deslindar o caráter dicotômico / dialético da hegemonização dos conceitos de público e privado desde o advento da História. E por outro, constatou-se a necessidade de entender e flagrar a fulcralidade do papel do Estado como um instrumento de apropriação privada na Idade Antiga e na vigência do capitalismo[3].
Segundo a concepção dicotômica de mundo, o debate em torno do caráter fundante dos conceitos de indivíduo, privado e Estado, a partir da visão logóica dos gregos até os dias atuais, não é novo, nem tampouco original, já que está presente na própria dinâmica do processo civilizatório em sua concepção tradicional. No entanto, polemizar sobre as dicotomias indivíduo versus Estado e público versus privado, de forma a incluir uma visão histórica, terminou representando um grande desafio, já que exigiu a incorporação de uma matriz espaço-temporalmente muito mais ampla.
Além disso, alguns problemas adicionais surgiram. Em primeiro lugar, o tema era extremamente rico e exigia um tratamento transdisciplinar. Segundo, porque o próprio espaço da transdisciplinaridade continua ainda impreciso, demandando uma preocupação constante e dialógica entre o geral e o particular, o que, neste caso, significava levar em consideração as categorias indivíduo e Estado e público e privado, de uma maneira epistemológica e historicamente. Terceiro, porque as abordagens generalistas, principalmente quando se almejam transgressoras, costumam ser desqualificadas no mundo acadêmico.
E quarto e último ponto, porque estudar um fenômeno específico, no caso, a privatização, dentro de um quadro referencial genérico, procurando entender o caráter dialético da inserção do público e do privado no mundo real e não apenas descrevê-los, poderia ser, no mínimo, uma temeridade.
[1] Este livro é produto da tese de doutoramento da autora, intitulada A Roda da Angústia, que discute as políticas de privatização na América Latina e representa um resumo de seu modelo teórico.
[2] Esta abordagem mantém uma relação de contingenciamento com os conceitos, extraídos da física quântica, de "Ordem Implícita" e de "Ordem Explícita", tal como referenciado por David Bohm.
[3] Vide os apêndices I e II no final do livro.
O SIMBOLISMO DA PEDRA
O SIGNIFICADO DA CAPA
A pedra da profecia é um petróglifo encontrado na região dos Quatro Cantos dos Estados Unidos (sudoeste do Colorado, noroeste do Novo México, nordeste do Arizona e sudeste de Utah), mais especificamente perto de Oraibi, no Arizona. Os Hopi são um povo antigo que vive nas planícies desérticas do nordeste do Arizona desde o primeiro milênio antes de Cristo (aproximadamente 1150 A.C) e os seus povoados são considerados os mais antigos assentamentos do continente norte-americano. Os Hopi têm uma elevada reputação, tanto entre as outras tribos como entre cientistas e acadêmicos, pelos seus conhecimentos médicos, sua visão global, artes, artesanatos e práticas espirituais antigas, que eles ainda mantêm, transmitidos oralmente, de geração em geração. A sua sociedade, predominantemente agrária, procura manter uma ligação muito forte no campo criativo com as forças invisíveis da natureza. E os seus ensinamentos antigos costumam indicar que tal comunhão vital poderá vir a desempenhar um papel chave na sobrevivência da própria raça humana...
O SIMBOLISMO DA PEDRA
A figura humana à esquerda é o Grande Espírito. A cuia em sua mão esquerda representa as instruções que os Hopi receberam para serem divulgadas. A linha vertical à direita do Grande Espírito é uma escala de tempo, que corresponde aos milhares de anos vividos pela humanidade. O ponto em que o Grande Espírito toca na linha é a época de seu retorno. O caminho da vida que ele define está dividido em duas possibilidades: a primeira, a linha de baixo, representa o caminho da vida em harmonia com a natureza; a segunda, a linha de cima, representa a via da tecnologia, ou seja, a escolha do caminho da materialidade, sem nenhuma espiritualidade para contrabalançá-la. As três linhas verticais representam pontos de interseção entre a via material e a via espiritual: 1) a primeira linha está relacionada com o início da profecia; 2) a segunda linha vertical mostra uma época em que a humanidade teve de escolher entre materialismo e espiritualismo. Os dois círculos na linha inferior representam a primeira e a segunda guerra mundial (a grande agitação da terra) como fruto desta escolha. As quatro figuras humanas pequenas que aparecem na estrada superior representam, em um nível, os três mundos passados e o mundo presente (predomínio da raça branca). A linha vertical na extremidade direita está relacionada com a decisão que a humanidade precisará tomar nos dias que virão (a última oportunidade para os povos retornarem a uma visão equilibrada com o espírito e a natureza, antes que a estrada superior possa desintegrar-se e dissipar-se). Se o trajeto escolhido for a via material, o resultado será uma linha muito irregular, que conduzirá à destruição. Se o trajeto escolhido for a via espiritual, o caminho de baixo, o resultado será a paz e a harmonia entre todas as raças. E o trajeto da vida continuará para sempre…
É como nos diz a Suprema Mestra Ching Hai: "O futuro está em nossas mãos. Por isso, podemos fazê-lo de uma beleza ímpar ou deixá-lo ainda mais feio. Depende apenas de nós... Se a maioria das pessoas deste mundo despertasse a um nível mais elevado de consciência, acreditando no Reino de Deus dentro de si, acreditando que detém o poder supremo no interior de si mesmo, respeitando a beleza, a verdade e a moral, então o nosso mundo poderia se tornar cada vez melhor até se transformar em um paraíso...”
A pedra da profecia é um petróglifo encontrado na região dos Quatro Cantos dos Estados Unidos (sudoeste do Colorado, noroeste do Novo México, nordeste do Arizona e sudeste de Utah), mais especificamente perto de Oraibi, no Arizona. Os Hopi são um povo antigo que vive nas planícies desérticas do nordeste do Arizona desde o primeiro milênio antes de Cristo (aproximadamente 1150 A.C) e os seus povoados são considerados os mais antigos assentamentos do continente norte-americano. Os Hopi têm uma elevada reputação, tanto entre as outras tribos como entre cientistas e acadêmicos, pelos seus conhecimentos médicos, sua visão global, artes, artesanatos e práticas espirituais antigas, que eles ainda mantêm, transmitidos oralmente, de geração em geração. A sua sociedade, predominantemente agrária, procura manter uma ligação muito forte no campo criativo com as forças invisíveis da natureza. E os seus ensinamentos antigos costumam indicar que tal comunhão vital poderá vir a desempenhar um papel chave na sobrevivência da própria raça humana...
O SIMBOLISMO DA PEDRA
A figura humana à esquerda é o Grande Espírito. A cuia em sua mão esquerda representa as instruções que os Hopi receberam para serem divulgadas. A linha vertical à direita do Grande Espírito é uma escala de tempo, que corresponde aos milhares de anos vividos pela humanidade. O ponto em que o Grande Espírito toca na linha é a época de seu retorno. O caminho da vida que ele define está dividido em duas possibilidades: a primeira, a linha de baixo, representa o caminho da vida em harmonia com a natureza; a segunda, a linha de cima, representa a via da tecnologia, ou seja, a escolha do caminho da materialidade, sem nenhuma espiritualidade para contrabalançá-la. As três linhas verticais representam pontos de interseção entre a via material e a via espiritual: 1) a primeira linha está relacionada com o início da profecia; 2) a segunda linha vertical mostra uma época em que a humanidade teve de escolher entre materialismo e espiritualismo. Os dois círculos na linha inferior representam a primeira e a segunda guerra mundial (a grande agitação da terra) como fruto desta escolha. As quatro figuras humanas pequenas que aparecem na estrada superior representam, em um nível, os três mundos passados e o mundo presente (predomínio da raça branca). A linha vertical na extremidade direita está relacionada com a decisão que a humanidade precisará tomar nos dias que virão (a última oportunidade para os povos retornarem a uma visão equilibrada com o espírito e a natureza, antes que a estrada superior possa desintegrar-se e dissipar-se). Se o trajeto escolhido for a via material, o resultado será uma linha muito irregular, que conduzirá à destruição. Se o trajeto escolhido for a via espiritual, o caminho de baixo, o resultado será a paz e a harmonia entre todas as raças. E o trajeto da vida continuará para sempre…
É como nos diz a Suprema Mestra Ching Hai: "O futuro está em nossas mãos. Por isso, podemos fazê-lo de uma beleza ímpar ou deixá-lo ainda mais feio. Depende apenas de nós... Se a maioria das pessoas deste mundo despertasse a um nível mais elevado de consciência, acreditando no Reino de Deus dentro de si, acreditando que detém o poder supremo no interior de si mesmo, respeitando a beleza, a verdade e a moral, então o nosso mundo poderia se tornar cada vez melhor até se transformar em um paraíso...”
domingo, 26 de abril de 2009
MISÉRIA DA CIÊNCIA

MISÉRIA DA CIÊNCIA
é um livro polêmico. Porque busca radicalizar o enfoque transdisciplinar sobre a história dos homens e a história das idéias dos homens. Porque ousa questionar o Logos da Razão Material e a Concepção Dicotômica de Mundo. Porque procura deslindar a razão patriarcal de mundo e evidenciar a aporia do racionalismo. Porque busca analisar a encruzilhada teórica que teria contribuído para fortalecer a lógica da separatividade (com base em Parmênides, Pitágoras e Aristóteles) em oposição à idéia de totalidade (de acordo com Heráclito, Platão e Sócrates). Porque procura entender os fundamentos da crise contemporânea e de suas dimensões intelectuais, morais e espirituais. E, ao fazê-lo, MISÉRIA DA CIÊNCIA chama a atenção para uma necessidade, cada vez mais urgente, de se questionar o materialismo e recuperar uma dimensão ontológica do mundo e das coisas...
QUANDO REALIDADE E PROFECIA SE ENTRELAÇAM
Quando se lê o livro MISÉRIA DA CIÊNCIA, é impossível deixar de estabelecer um paralelo entre a discussão teórico-filosófica que ele desenvolve e o conteúdo simbólico da chamada pedra da profecia. Esta pedra pode ser encontrada na região dos Quatro Cantos dos Estados Unidos (perto de Oraibi, no Arizona), datando do primeiro milênio antes de Cristo (aproximadamente 1150 A.C.). Segundo os índios Hopi, que são os guardiões da pedra da profecia, o mundo teria abandonado a via espiritual, enquanto fortalecia, progressivamente, o materialismo. E hoje, mais de três mil anos depois, profecia e realidade se confundem, já que o mundo estaria se defrontando com uma nova encruzilhada (negação da negação, segundo Hegel): materialismo ou reencontro com a via principal da humanidade? Dentro deste contexto, o racionalismo, que teria contribuído para exacerbar o materialismo, se encontraria num verdadeiro “beco sem saída” (aporia) e precisaria ser transcendido para que a humanidade possa se reencontrar. O caminho – quem sabe? – pode ser indicado pelo desenvolvimento de um maior equilíbrio entre razão, emoção, sentimento e intuição e pela reinstalação do primado de uma visão não dicotômica (e, portanto, não conflituosa) de mundo...
MISÉRIA DA CIÊNCIA é um livro polêmico, que pretende entender os fundamentos da crise contemporânea e de suas dimensões intelectuais, morais e espirituais pela releitura da história da filosofia.
LANÇAMENTO
Quando se lê o livro MISÉRIA DA CIÊNCIA, é impossível deixar de estabelecer um paralelo entre a discussão teórico-filosófica que ele desenvolve e o conteúdo simbólico da chamada pedra da profecia. Esta pedra pode ser encontrada na região dos Quatro Cantos dos Estados Unidos (perto de Oraibi, no Arizona), datando do primeiro milênio antes de Cristo (aproximadamente 1150 A.C.). Segundo os índios Hopi, que são os guardiões da pedra da profecia, o mundo teria abandonado a via espiritual, enquanto fortalecia, progressivamente, o materialismo. E hoje, mais de três mil anos depois, profecia e realidade se confundem, já que o mundo estaria se defrontando com uma nova encruzilhada (negação da negação, segundo Hegel): materialismo ou reencontro com a via principal da humanidade? Dentro deste contexto, o racionalismo, que teria contribuído para exacerbar o materialismo, se encontraria num verdadeiro “beco sem saída” (aporia) e precisaria ser transcendido para que a humanidade possa se reencontrar. O caminho – quem sabe? – pode ser indicado pelo desenvolvimento de um maior equilíbrio entre razão, emoção, sentimento e intuição e pela reinstalação do primado de uma visão não dicotômica (e, portanto, não conflituosa) de mundo...
MISÉRIA DA CIÊNCIA é um livro polêmico, que pretende entender os fundamentos da crise contemporânea e de suas dimensões intelectuais, morais e espirituais pela releitura da história da filosofia.
LANÇAMENTO
Dia 11 de maio, às 19 hs. no Carpe Diem - CLS 104 Bl. D s/n loja 1 – Tel. 33217891
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